Fundo HSLG11 sofre calote da Casas Bahia, mas projeta manter dividendo

O fundo imobiliário HSLG11, conhecido como HSI Logística FII, informou ao mercado que a varejista Casas Bahia não efetuou o pagamento dos aluguéis referentes ao mês de agosto, com vencimento nesta terça-feira, dia 18. O atraso se refere a dois imóveis ocupados pela companhia no portfólio do fundo.

A notícia surge após a Casas Bahia protocolar um pedido de recuperação judicial no último domingo, dia 16 de agosto, na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. A inadimplência da varejista representa uma fatia significativa, correspondendo a 30,9% da receita contratada do fundo, com 27,6% vindos diretamente e 3,3% de áreas sublocadas, cuja responsabilidade de pagamento segue com a Casas Bahia.

Apesar do cenário desafiador, a gestão do HSLG11 projeta manter a próxima distribuição de dividendos no patamar de R$ 0,75 por cota. Para isso, o fundo planeja utilizar o resultado acumulado, caso os valores devidos pela Casas Bahia não sejam integralmente recebidos a tempo. No entanto, é importante frisar que essa projeção não configura uma promessa ou garantia de rentabilidade.

Detalhes do Calote: Impacto e Próximos Passos

O atraso comunicado refere-se especificamente aos aluguéis com vencimento em agosto. Os pagamentos devidos em julho foram quitados integralmente pela Casas Bahia. A administração do HSLG11 já notificou a varejista sobre a falta de pagamento e as possíveis penalidades contratuais decorrentes da inadimplência.

Os valores vencidos agora constituem um crédito do fundo contra a Casas Bahia no contexto do pedido de recuperação judicial. É fundamental entender que existe uma distinção entre as parcelas de aluguel já vencidas e os próximos vencimentos. Segundo o artigo 67 da Lei nº 11.101/2005, obrigações assumidas pelo devedor após o deferimento do processamento da recuperação judicial, incluindo aluguéis futuros, são classificadas como créditos extraconcursais. Isso significa que esses valores não estão sujeitos aos efeitos da recuperação judicial e devem ser pagos normalmente. Até a divulgação do fato relevante, não havia uma decisão judicial sobre o processamento do pedido da Casas Bahia.

Casas Bahia Reafirma Intenção de Manter Locações Essenciais

Até o momento da divulgação do fato relevante, a Casas Bahia não havia manifestado qualquer intenção de rescindir os contratos de locação ou desocupar os imóveis do HSLG11. As locações permanecem vigentes, e a gestão do fundo não identificou indicativos de interrupção das operações nos galpões.

Mais ainda, a própria rede varejista listou as locações dos imóveis do HSLG11 entre os contratos considerados essenciais em seu pedido de recuperação judicial, solicitando à Justiça a manutenção desses acordos. Essa inclusão reforça a intenção da Casas Bahia em dar continuidade às operações nos locais. Os dois empreendimentos em questão são o HSI Log Contagem, localizado em Contagem (MG), com cerca de 92 mil metros quadrados de área bruta locável (ABL), e o HSI Log São José dos Pinhais, em São José dos Pinhais (PR), com aproximadamente 74,2 mil metros quadrados. Ambos estão integralmente locados à varejista.

Estratégia de Diversificação e Projeção de Rendimentos

A gestão do HSLG11 já vinha trabalhando em uma estratégia para reduzir a dependência da Casas Bahia, que antecede o atual pedido de recuperação judicial. Em abril de 2025, foram assinados aditivos aos contratos de locação dos empreendimentos. Esses aditivos visam adequar os valores dos aluguéis aos patamares de mercado nas respectivas regiões e transformar os imóveis em galpões multiusuários.

Essa medida abre espaço para uma redução parcial da área hoje ocupada pela Casas Bahia e para a diversificação da base de locatários. O relatório gerencial de julho apontava um potencial de diminuição de aproximadamente 12 pontos percentuais na concentração da receita após novas comercializações, o que faria a participação da Casas Bahia cair dos atuais 30,9% para cerca de 19%. Em julho, o portfólio do fundo registrou 100% de ocupação e 0% de inadimplência, com o aluguel nominal médio passando de R$ 26,20 para R$ 27,30 por metro quadrado entre abril e julho.

A administração do HSLG11 pretende anunciar em 31 de agosto o rendimento de R$ 0,75 por cota, mantendo o patamar anterior. Antes do pedido de recuperação judicial, a estimativa para o restante de 2026 indicava distribuições mensais entre R$ 0,74 e R$ 0,76 por cota. O uso do resultado acumulado para complementar a receita dependerá do recebimento dos aluguéis da Casas Bahia. A gestão reforça que poderá adotar medidas para resguardar os direitos do fundo, incluindo uma ação de despejo, se necessário, enquanto o pedido de recuperação judicial aguarda decisão.

Perguntas Frequentes

O que é o fundo imobiliário HSLG11?

O HSLG11, cujo nome completo é HSI Logística FII, é um fundo de investimento imobiliário que possui em seu portfólio imóveis de logística, como galpões, que são alugados a grandes empresas. Sua cota caiu 9,14% nesta terça-feira (18), para R$ 72,51.

Qual o impacto do calote da Casas Bahia no HSLG11?

O calote da Casas Bahia no pagamento dos aluguéis de agosto afeta diretamente a receita do HSLG11, pois a varejista representa 30,9% da receita contratada do fundo. Para compensar, a gestão planeja usar o resultado acumulado para manter a distribuição de dividendos.

O HSLG11 vai cortar os dividendos por causa do calote?

Não, a gestão do HSLG11 projeta manter a distribuição de dividendos em R$ 0,75 por cota, utilizando resultados acumulados do fundo caso os valores da Casas Bahia não sejam recebidos integralmente. Esta projeção, contudo, não é uma garantia de rentabilidade.

O que são créditos extraconcursais em recuperação judicial?

Créditos extraconcursais são obrigações de pagamento que surgem após o deferimento do pedido de recuperação judicial de uma empresa. Por lei (Art. 67 da Lei nº 11.101/2005), esses valores, como aluguéis futuros, devem ser pagos normalmente e não se submetem aos efeitos da recuperação judicial.

A Casas Bahia vai desocupar os imóveis do HSLG11?

Não há indicação de desocupação. A Casas Bahia não manifestou intenção de rescindir contratos e, em seu pedido de recuperação judicial, listou as locações dos imóveis do HSLG11 como contratos essenciais, solicitando sua manutenção à Justiça, o que reforça a intenção de continuar as operações.