Avaliada em US$ 115 bilhões, a fintech britânica planeja expansão gradual no país, atrelando a busca pela licença à escala da operação local e ao ambiente regulatório.
A Revolut, uma das maiores fintechs globais, com valor de mercado estimado em US$ 115 bilhões – quase o dobro do Nubank –, manifestou seu desejo de conquistar uma licença bancária completa no Brasil. Contudo, essa não é uma prioridade imediata para a companhia.
Glauber Mota, CEO da Revolut no país, indicou que, apesar da ambição de se tornar um banco em todos os mercados onde atua, a estratégia no Brasil dependerá do amadurecimento da operação e das condições regulatórias.
A empresa já opera como uma instituição financeira regulada pelo Banco Central brasileiro, o que a submete a um arcabouço de compliance e reporte. A licença bancária representaria, portanto, o próximo estágio em sua evolução no mercado nacional.
Licença bancária no Brasil: uma meta de longo prazo
Quando questionado sobre os planos de obter a licença bancária no Brasil, Glauber Mota foi categórico: “A resposta direta é sim”. Ele reforçou que “já é público e notório que a Revolut quer ser banco em todos os países em que opera e sempre no maior grau de compliance em seus respectivos países”.
Apesar do objetivo claro, Mota ressaltou que a necessidade de se tornar um banco não é para agora. “Você precisa ser banco agora? Não preciso ainda”, afirmou o executivo, indicando que a empresa tem uma visão estratégica e não imediatista para esse passo.
Para a Revolut, a licença bancária é vista como parte de um plano de longo prazo, alinhada à sua evolução e crescimento no mercado brasileiro, sem ser um requisito indispensável para a expansão atual.
Crescimento no Brasil define o ritmo
A estratégia da fintech é consolidar primeiro sua operação no Brasil e, com o ganho de escala, avaliar o momento mais oportuno para solicitar uma licença mais abrangente. “O modelo de licença, apesar de estar na nossa ambição, vai obedecer à maturidade do nosso crescimento em escala no Brasil e, obviamente, os tempos e movimentos que o próprio Banco Central permitir”, explicou o CEO.
A Revolut está presente no Brasil há pouco mais de três anos, com uma equipe de cerca de 250 pessoas distribuídas em duas frentes: uma empresa de tecnologia e a instituição financeira. A unidade de tecnologia local, inclusive, desenvolve soluções que são aplicadas em outras operações do grupo globalmente.
Ambição de ser uma “Amazon financeira”
A busca pela licença bancária está intrinsecamente ligada a uma visão maior da Revolut: transformar sua plataforma em um ecossistema financeiro completo, oferecendo uma vasta gama de produtos e serviços. Mota compara essa estratégia à de gigantes como Amazon e Mercado Livre.
O objetivo é centralizar todas as soluções financeiras para o consumidor em um único local. “Eu quero que seja conhecida como a solução onde o cliente não precisa pensar muito, ele sabe que lá ele vai encontrar o melhor”, declarou Mota. Atualmente, a Revolut oferece conta global, câmbio, pagamentos, cartão de crédito, investimentos e programas de pontos. O próximo passo inclui a expansão desses serviços para pessoas jurídicas.
Expansão do crédito em um mercado desafiador
O crédito é outro vetor que pode impulsionar a necessidade de uma estrutura bancária mais robusta no futuro. Embora a Revolut já atue com cartão de crédito no Brasil, sua exposição nesse segmento ainda é considerada pequena em relação ao seu potencial. A fintech planeja expandir sua oferta, abrindo outras linhas de crédito.
Mota reconhece, contudo, os desafios do cenário brasileiro, marcado por juros elevados, inadimplência e características específicas do mercado. A aposta da Revolut é usar sua escala, tecnologia e análise de dados para operar com custos mais baixos e, eventualmente, oferecer crédito com condições mais competitivas.
Brasil como laboratório global para fintechs
O Brasil é considerado um mercado estratégico para a Revolut, não apenas pelo seu tamanho, mas também pela intensa competição e pela maturidade da infraestrutura financeira digital, exemplificada pelo Pix. Glauber Mota vê o país como um “laboratório” para a companhia.
Competir e ter sucesso no Brasil valida a estratégia da fintech em um dos mercados mais dinâmicos e disputados do mundo. “Querer vencer no Brasil significa provar um case de negócio muito relevante”, concluiu o CEO, destacando a importância do país para os planos globais da Revolut.
Perguntas Frequentes
Qual o plano da Revolut para uma licença bancária no Brasil?
A Revolut tem a ambição de obter uma licença bancária no Brasil, mas essa decisão não é imediata e dependerá do crescimento da operação local e da evolução do ambiente regulatório, segundo o CEO Glauber Mota.
Por que a Revolut não tem pressa para virar banco no Brasil?
A empresa prefere focar na construção e na escala de sua operação atual no Brasil antes de buscar uma licença bancária completa, que é vista como um próximo passo na evolução de seus negócios a longo prazo.
Quais serviços a Revolut oferece no Brasil atualmente?
Atualmente, a Revolut concentra sua oferta em conta global, câmbio, pagamentos, cartão de crédito, investimentos e acúmulo de pontos, com planos de expandir para serviços direcionados a pessoas jurídicas.
Como a Revolut enxerga o mercado de crédito brasileiro?
A Revolut já oferece cartão de crédito no Brasil e ambiciona abrir outras linhas, apesar de reconhecer o cenário desafiador com juros altos e inadimplência. A estratégia é usar tecnologia e escala para operar com custos menores.
Por que o Brasil é um mercado estratégico para a Revolut?
O Brasil é considerado um mercado estratégico e um "laboratório" pela Revolut devido ao seu tamanho, à intensa competição no setor financeiro e à maturidade da infraestrutura digital, como o sistema de pagamentos Pix.
